tradução de Jorge Luis Borges...
César
Aqui, o quê deixaram os punhais.
Aqui essa pobre coisa, um homem morto
que se chamava César. Os metais abriram
crateras na carne.
Aqui o atróz, aqui a derradeira
máquina usada para a glória,
para escrever e empreender a história
e para o gozo pleno da vida.
Aqui também o outro, aquele prudente
imperador que recusou louros,
que comandou batalhas e baixéis
e que regeu o oriente e o poente.
Aqui também o outro, o vindouro
cuja grande sombra será o orbe inteiro.
e de León Felipe:
Drop A Star
Onde está a estrela dos Nascimentos?
A terra, crispada, estancou-se no vento.
E não vêm os olhos dos marinheiros
Aquele peixe - vamos seguí-lo! -
se vai, dançando,
à estrela polar.
O mundo é uma slot-machine,
com uma fenda nos lençóis do céu,
sobre a cabeçeira do mar.
(Se a máquina pára,
acaba-se a corda.)
O mundo é algo que funciona
como uma pianola de bar.
(Se a corda acaba,
para-se a máquina.)
Marinheiro,
tu tens uma estrela no bolso
Drop a star!
Despertas com tua mão a nova música do mundo,
a canção marítima da manhã,
o hino vindouro dos homens...
Drop a star!
Faça navegar novamente esse barco ancorado, marinheiro
Tu tens uma estrela no bolso....
uma estrela nova de palácio, de fósforo e de imã.